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Pesquidora revela que Brasil perdeu patente internacional da Polilaminina por conta de cortes na UFRJ e 2015 e 2016

Tatiana Coelho de Sampaio é chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, do Instituto de Ciências Biomédicas. Foto FAPERJ

A Dra. Tatiana Sampaio revela como cortes na UFRJ em 2015/2016 levaram à perda da patente internacional da polilaminina, descoberta que promete curar paralisias. Revelação viralizou nas redes sociais.

Uma revelação preocupante da Dra. Tatiana Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trouxe à tona os danos colaterais dos cortes orçamentários na ciência brasileira.

Em entrevista recente ao Conversas com Hildgard Angel, a cientista confirmou que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina, uma substância revolucionária que tem demonstrado resultados surpreendentes na recuperação de movimentos em pacientes com paralisia.

De acordo com a pesquisadora, a interrupção do registro fora do país foi uma consequência direta da redução de recursos destinados à universidade entre os anos de 2015 e 2016. “Os recursos da UFRJ foram cortados e não havia dinheiro para pagar a patente internacional”, declarou Tatiana.

O custo da austeridade para a inovação nacional

A polilaminina é um aprimoramento de uma proteína natural presente no corpo humano, como na placenta. A pesquisa, que durou mais de 25 anos, culminou em uma descoberta que permite aos neurônios formarem novos caminhos para impulsos elétricos [00:42:12]. No entanto, a falta de verbas para taxas internacionais inviabilizou a proteção da tecnologia no exterior.

Atualmente, o Brasil detém apenas a patente nacional, que foi mantida graças a esforços heróicos. A Dra. Tatiana revelou que chegou a pagar taxas do próprio bolso para evitar que o registro brasileiro também fosse perdido.

Janela de exploração curta e riscos de cópia

A situação é ainda mais crítica devido ao tempo de concessão das patentes no Brasil. O pedido foi feito em 2007, mas o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) levou 18 anos para aprová-lo. Como uma patente tem validade de 20 anos a partir do pedido, o Brasil terá apenas dois anos de exclusividade comercial sobre a descoberta antes que ela caia em domínio público no país.

Internacionalmente, a perda é total. Sem a patente, laboratórios estrangeiros podem copiar e comercializar a tecnologia desenvolvida na UFRJ sem pagar royalties ou pedir autorização. “Eles podem copiar à vontade. A UFRJ não tinha dinheiro, parou de pagar”, lamentou a pesquisadora.

Impacto no tratamento de pacientes

Enquanto o debate político sobre o financiamento científico se acirra, a polilaminina já muda vidas. Relatos no vídeo indicam casos de pacientes com lesões medulares graves que recuperaram sensibilidade e até movimentos após o uso da substância em protocolos específicos.

O caso reacende o alerta sobre como a descontinuidade de investimentos públicos pode entregar “de bandeja” décadas de conhecimento científico brasileiro para potências estrangeiras.

O que é a Polilaminina?

A polilaminina é uma forma polimerizada da laminina — uma proteína essencial encontrada na matriz extracelular de quase todos os tecidos animais. Em termos simples, imagine a laminina como um “andaime” que sustenta as células.

A grande inovação da versão “poli” (polimerizada) é a sua capacidade de mimetizar de forma muito mais eficaz o ambiente natural do sistema nervoso. Ela atua como um guia estrutural, estimulando o crescimento de neuritos e a sobrevivência neuronal em níveis que a laminina comum não consegue alcançar.

Destaque: A polilaminina é frequentemente estudada por sua aplicação em biocurativos e terapias para lesões medulares e doenças neurodegenerativas.

Quem é Tatiana Sampaio?

Tatiana Sampaio é uma brilhante neurocientista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sua trajetória foi marcada pela paixão em decifrar os mecanismos de reparo do sistema nervoso central. Seu trabalho com a polilaminina permitiu que o país desse passos largos em direção a tratamentos menos invasivos e mais biológicos para paralisias e traumas neurais.

Assista à entrevista completa e ao trecho em questão:

Conversas com Hildgard Angel: Tatiana Sampaio e a ciência que faz voltar a caminhar

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