Anitta é vítima de onda de fake news cruéis com toques de misoginia e preconceito religioso

Depois que anunciou apoio à candidatura de Lula para “derrotar Bolsonaro”, cantora Anitta passou a ser vítima de notícias falsas de baixíssimo nível que citavam drogas, HIV, vídeos íntimos e até satanismo. Edgard Matsuki, editor do Boatos.org, analisa os porquês desta onda de ataques.

Depois que anunciou apoio à candidatura de Lula para “derrotar Bolsonaro”, cantora Anitta passou a ser vítima de notícias falsas de baixíssimo nível que citavam drogas, HIV, vídeos íntimos e até satanismo. Edgard Matsuki, editor do Boatos.org, analisa os porquês desta onda de ataques.

Nos últimos dias, presenciamos a onda de ataques falsos mais cruéis em algum tempo (um feito, visto que fake news são, via de regra, recheadas de maldade). Depois que anunciou que apoiaria o ex-presidente Lula para que ele “derrote Bolsonaro”, Anitta passou a ser vítima de diversas fake news.

Nos últimos dias, o Boatos.org teve que desmentir, no mínimo, quatro fake news (algumas com mais de uma acusação). A primeira da lista é a, por assim dizer, mais “leve”. Um vídeo de uma cantora abandonando um palco após o público atirar objetos é acompanhado de uma mensagem que seria Anitta após falar que Bolsonaro não seria reeleito. Desmentimos a história em texto e vídeo há cerca de um mês. Mas, foi nas últimas duas semanas que os ataques se intensificaram a passaram a ser de nível mais baixo.

Primeiro, começaram a aparecer vídeos íntimos falsamente atribuídos a Anitta. Muitos deles já circulavam com o crédito falso em sites adultos e eram de mulheres parecidas com a cantora. Um deles não passava de um deepfake. Com ferramentas tecnológicas o rosto da cantora foi inserido no de outra mulher.

Parece que a coisa não pioraria, mas piorou. Um vídeo de uma pessoa que não parece estar em sã consciência aponta que Anitta (que teve que realizar uma cirurgia de endometriose) estava internada por causa do vírus HIV. Mais do que isso: ela teria, ainda, se recusado a se tratar e também participaria de uma seita satânica (de uma entidade da Umbanda) que sacrificaria crianças.

Detalhe: a pessoa joga palavras ao vento e não apresenta nenhuma prova. Em condições normais, o vídeo cairia no esquecimento de tão frágeis que são os argumentos. Porém, em tempos de impulsionamento de conteúdo com viés político, o vídeo viralizou no WhatsApp.

Por fim, um vídeo de crianças supostamente cheirando cocaína em uma escola estava sendo atribuído à “influência de Anitta e Lula” e compartilhado junto com indagações do tipo “é isso que você quer para as nossas crianças?”. Obviamente, tratava-se de mais uma ilação sem qualquer nexo na realidade.

Como vocês puderam ver, as fake news carregavam alguns elementos. Além do viés de quem compartilhou (as mentiras se espalharam, principalmente, graças a bolsonaristas), elas eram carregadas de machismo (principalmente no caso dos vídeos íntimos), misoginia (com certeza, os ataques foram mais intensos porque o alvo era uma mulher) e preconceito religioso (já passou da hora de relacionarmos satanismo com religiões de matriz africana).

No mundo paralelo criados pelas fakes, Anitta teria aids, infectaria homens dolosamente, seria satanista, sacrificaria crianças, influenciaria o uso de cocaína por crianças em escolas e seria “melhor” sem falar. Este combo mostra que esse tipo de mentira diz mais sobre quem cria e compartilha do que sobre quem é alvo.

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Destaques nas redes sociais

Desde o início de 2021, o Boatos.org promove a seção “A Semana em Fakes”, com análises sobre assuntos relacionados a fake news. O conteúdo é aberto para republicação em veículos de mídia. No momento, publicamos o conteúdo no Jorn., Portal MetrópolesPortal T5, Conexão Marília, O Anhanguera e RP10 (caso tenha interesse, entre em contato com o Boatos.org para saber as condições). Para ver todos os textos da seção, clique aqui.